As figuras de linguagem são artifícios utilizados para tornar as mensagens mais expressivas. Escritores, poetas e compositores se valem das figuras de linguagem como recurso estilístico em suas obras, mas elas também são empregadas no nosso cotidiano, às vezes com tanta naturalidade que sequer percebemos. As figuras de linguagem podem ser de quatro tipos: figuras de som, figuras de construção, figuras de palavra e figuras de pensamento. Veja a seguir o que distingue cada uma delas.

Figuras de som

As figuras de som – também chamadas de figuras de harmonia – consistem na utilização de palavras, sílabas ou letras cuja sonoridade produz um efeito que reforça a idéia que se deseja transmitir. Em alguns casos, o som produzido marca o ritmo do texto (oral ou escrito); em outros, a semelhança de sons entre duas ou mais palavras cria a impressão de proximidade entre elas, fenômeno que chamamos de rima. Há ainda os casos em que o som intencional imita aquele que é produzido por um determinado animal, máquina, objeto ou fenômeno da natureza. São exemplos de figuras de som a aliteração, a onomatopeia, a assonância e a paronomásia.

Figuras de construção

As figuras de construção – também chamadas de figuras de criação, figuras de sintaxe ou figuras sintáticas – estão relacionadas aos princípios segundo os quais a norma culta estabelece relações de hierarquia entre as palavras e consolida estruturas de construção de sentenças. A alteração dessas relações e/ou estruturas, quando não se trata de um erro grosseiro, constitui uma figura de construção. É comum que essas figuras apresentem como características a inversão de termos da oração, a ruptura de estruturas frasais, a adoção de diferentes formas de regência e concordância e até mesmo a omissão de palavras. São exemplos de figuras de construção a inversão, a elipse, o zeugma, a silepse e o anacoluto, entre muitos outros.

Figuras de palavra

As figuras de palavra têm origem quando uma determinada palavra ou expressão é empregada no lugar de outro termo ou é usada para materializar uma idéia para a qual não existe um termo exato, é “emprestada”. Esse emprego de palavras no sentido figurado é justificado pela existência de uma relação de proximidade de sentidos entre a palavra utilizada e a que foi substituída ou entre a palavra utilizada e a idéia que se deseja expressar. São exemplos de figuras de palavra a metáfora, a catacrese e a sinestesia, além de muitas outras.

Figuras de pensamento

As figuras de pensamento caracterizam-se por utilizarem palavras ou expressões cujo sentido conotativo causa impacto ou contraria as expectativas do leitor ou ouvinte. Esse efeito pode ser causado pela aproximação de palavras de sentidos opostos, pelo uso de termos que suavizam ou exageram a idéia que está sendo transmitida ou pelo emprego de palavras que dizem o contrário do que realmente se deseja dizer. A hipérbole, o eufemismo, o paradoxo e a ironia são alguns exemplos de figuras de pensamento.